Hoje vivemos um período de crise econômica, mas nem de longe ela é tão ruim quanto o período vivido na década de 1930.
Até 1929, a economia brasileira era movida pela produção de café no sudeste. A secular produção de cana de açúcar no nordeste já estava em crise há muito tempo e a população da região empobreceu junto. Mas então, o que já era ruim, ficou pior, por causa de uma sucessão de crises, como dominós.
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| "Os Retirantes", Cândido Portinari, 1944 |
Primeiro, veio a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque de 1929. Os EUA quebraram da noite para o dia e junto com ele o Brasil. O preço do café despencou, os barões do café foram a falência e a economia brasileiro foi pro ralo. Isso insuflou uma crise política que levou a um golpe de Estado e ao início da Era Vargas. A instabilidade política no sudeste, onde o poder estava concentrado, relegou ao esquecimento as outras regiões brasileiras. E o povo do sertão do nordeste ficou abandonado a própria sorte.
Abandono do Estado, crises hídricas, violência social, tudo isso em um ambiente onde a vida floresce com muita dificuldade, com plantas, animais e seres humanos convivendo em um ambiente seco e árido. No sertão não se vive, se sobrevive e com muito sofrimento.
O livro "Vidas Secas" foi escrito em 1938, no meio daquela década caótica. O autor se vale de viver naquele período e ter lutado contra o regime autoritário de Vargas para escrever sua obra, um retrato fiel do sofrimento do povo sertanejo naquele momento.
-Amanda de Almeida





