segunda-feira, 29 de junho de 2020

CONTEXTO HISTÓRICO DA OBRA


Hoje vivemos um período de crise econômica, mas nem de longe ela é tão ruim quanto o período vivido na década de 1930.

Até 1929, a economia brasileira era movida pela produção de café no sudeste. A secular produção de cana de açúcar no nordeste já estava em crise há muito tempo e a população da região empobreceu junto. Mas então, o que já era ruim, ficou pior, por causa de uma sucessão de crises, como dominós.
"Os Retirantes", Cândido Portinari, 1944

Primeiro, veio a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque de 1929. Os EUA quebraram da noite para o dia e junto com ele o Brasil. O preço do café despencou, os barões do café foram a falência e a economia brasileiro foi pro ralo. Isso insuflou uma crise política que levou a um golpe de Estado e ao início da Era Vargas. A instabilidade política no sudeste, onde o poder estava concentrado, relegou ao esquecimento as outras regiões brasileiras. E o povo do sertão do nordeste ficou abandonado a própria sorte.

Abandono do Estado, crises hídricas, violência social, tudo isso em um ambiente onde a vida floresce com muita dificuldade, com plantas, animais e seres humanos convivendo em um ambiente seco e árido. No sertão não se vive, se sobrevive e com muito sofrimento.

O livro "Vidas Secas" foi escrito em 1938, no meio daquela década caótica. O autor se vale de viver naquele período e ter lutado contra o regime autoritário de Vargas para escrever sua obra, um retrato fiel do sofrimento do povo sertanejo naquele momento.

-Amanda de Almeida

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Autores do Blog


Blog criado como trabalho da escola Centro Educacional Católica de Brasília.


Autores do blog:
  • Amanda de Almeida
  • Klara Nogueira
  • Luisa Maria
  • Fernanda





segunda-feira, 15 de junho de 2020

BIOGRAFIA DE GRACILIANO RAMOS



Graciliano Ramos nasceu em Quebrangulo, em 27 de outubro de 1892.Primeiro de dezesseis irmãos de uma família de classe média do sertão nordestino, ele viveu os primeiros anos em diversas cidades do Nordeste brasileiro, como Buíque, Pernambuco, Viçosa e Maceió. Terminando o segundo grau em Maceió, seguiu para o Rio de Janeiro, onde passou um tempo trabalhando como jornalista.

Em setembro de 1915, motivado pela morte dos irmãos Otacília, Leonor e Clodoaldo e do sobrinho Heleno, vitimados pela epidemia de peste bubônica, volta para o Nordeste, fixando-se junto ao pai, que era comerciante em Palmeira dos Índios, Alagoas. Neste mesmo ano casou-se com Maria Augusta de Barros, que morreu em 1920, deixando-lhe quatro filhos.

Foi eleito prefeito de Palmeira dos Índios em 1927, tomando posse no ano seguinte. Ficou no cargo por dois anos, renunciando a 10 de abril de 1930.

Entre 1930 e 1936 viveu em Maceió, trabalhando como diretor da Imprensa Oficial, professor e diretor da Instrução Pública do estado. Em 1934 havia publicado São Bernardo, e quando se preparava para publicar o próximo livro, foi preso após a Intentona Comunista de 1935. Foi levado para o Rio de Janeiro e ficou preso por onze meses, sendo liberado sem ter sido acusado de nada ou julgado.Com ajuda de amigos, entre os quais José Lins do Rego, consegue publicar Angústia (1936), considerada por muitos críticos como sua melhor obra.

Em 1938 publicou Vidas Secas. Em seguida estabeleceu-se no Rio de Janeiro, como inspetor federal de ensino.

Em 1945 ingressou Partido Comunista Brasileiro - PCB de orientação soviética e sob o comando de Luís Carlos Prestes; nos anos seguintes, realizaria algumas viagens a países europeus com a segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, retratadas no livro Viagem (1954).Ainda em 1945, publicou Infância, relato autobiográfico.

-Amanda de Almeida

POESIA


Vida sertaneja

Água e vida, vida e água
Sede e miséria, fuga iminente
Ciclo vicioso, situação degradante
Ignorância como fato, palavra e ato

Como tudo se conecta nesse árido campo
Animal ou humano, qual hoje ser
Cansaço ou atração, ignorância e peso
Apostas irracionais, insulto militar

Trovejo de relações, nuvem de lamurias
Deus acuda a miséria dos enganados
Que a carência não nos tire a palavra
Um inferno sem significado, baleia e pecados

Mas o que tem significado nessa vida de pecado
Que pecado há numa pobre alma esburacada
Um céu cheio de preás a desejar, um campo a bailar
Humanidade inumana, sem alma esta

O quão miserável podemos ser 
Ser nos sertões ou ser nas migrações
O fim não passa de um rastejo 
O medo de uma carroça ou de um carinho 

O que torna o sofrimento um delírio
Uma nuvem de vivencias sem sentido
Caatinga meu lar minha fuga iminente
Grande e a sabedoria do ignorante.

-Klara Nogueira

INTERTEXTUALIDADE

RECOMENDAÇÕES PARA INTERTEXTUALIDADE

Documentário /curta-metragem


▪︎Água do Sertão

Este é um documentário gravado no interior do Ceará,em pequenos municípios como Canindé e Aratuba. Ele monstra a vida dos moradores que sobrevivem com a falta de água. Ele também mostra como o povo nordestino, mesmo com todas as dificuldades, são um povo alegre e lutador.




Livro

▪︎O Auto Da Compadecida (1955) - Ariano Suassuna (1927 - 2014).
Este livro já possui um filme com o mesmo nome. Nele é contada a história do nordestino João Grilo, que após aprontar várias confusões, ele acaba sendo morto por um cangaceiro, que junto com ele e outros personagens vão para o purgatório, onde ele recebe um milagre de Nossa Senhora. Neste livro,o autor busca ,principalmente, mostrar a cultura do povo nordestino, um povo religioso e muito inteligente,mesmo com as dificuldades como a seca e a falta de recursos. 









Série

▪︎“Grandes Personalidades  do Nordeste”, promovida pela Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj)

Nesta série, a cada episódio, a produção apresenta um pouco mais da história de grandes nordestinos como Lampião, Padre Cícero, Zumbi dos Palmares e Nísia Floresta. O palestrante desta série é considerado uma das maiores autoridades no assunto do cangaço, o escritor Frederico Pernambucano de Mello que fez parte da equipe do sociólogo Gilberto Freyre, na Fundação Joaquim Nabuco,ele possui bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Recife. Ele também é membro da Academia Pernambucana de Letras (APL) e é autor de livros como “Apagando o Lampião: Vida e Morte do Rei do Cangaço”, “Guerreiros do Sol: Violência e Banditismo do Nordeste do Brasil (A Girafa)” e “Estrelas de Couro: A Estratégia do Cangaço (Escrituras)”.





CRÔNICA SOBRE A OBRA


DOIS PESOS

Como em qualquer domingo corriqueiro era chegada a hora de partir, porque sempre domingo? Me perguntava sempre, o fato era que nunca voltaríamos mas a mudança me trazia esperança sempre que pensava nela, queria saber se onde íamos haveria água em abundancia e comida em fartura, será que iria haver de ter pessoas menos gananciosas, essas coisas sempre estavam em questão pra mim. 

O nordeste e o lar de muitos se você não for bem ensinado vai pro cangaço, quando bem criança eu tinha o cangaço como sonho, mas após meus pais terem me explicado como era o fim de um cangaceiro ligeiramente tratei de tirar essa ideia de minha cabeça, o nordeste não parece ser pra brincadeira. Conheci uma vez um senhor ganancioso que foi pra cadeia por insultar a mãe de um soldado após um vasto tempo fui saber seu nome. Me perguntava o que ele havia de ter passado para ser daquele jeito. 

No auge dos meus 6 anos já me sentia um adulto já que no nordeste ninguém permanece criança por muito tempo, mas eu sentia que ainda me faltava como adulto mesmo que eu tivesse que cuidar de mais quatro irmãos como o mais velho sempre tinha que ser o mais responsável ,mesmo que eu não soubesse o significado de tal palavra, as vezes meus irmãos reclamavam da fome que todos passávamos, mesmo com tudo isso nunca me deixei abater. Mandacaru sempre esteve comigo, como meu pai o chamava mesmo? “Vira lata caramelo” pra mim era um nome grande demais pra se pronunciar. 

Mandacaru sempre viajava conosco e passava por tudo aquilo sem reclamar. Era tanta fome, sede exaustão, malandragem, que às vezes eu clamava para chegar a um lugar como aquele que chamavam de Brasília, mas me perguntava se aquele lugar era realmente bom como diziam as vezes via meu pai falando o quanto aquele lugar havia ladroes, mas não do tipo que roubava galinhas mas sim roubava muito dinheiro, nunca soube o por que roubavam o dinheiro se era a galinha que tirava a barriga da miséria. 

Finalmente mais velho consegui me mudar pra lá e percebi o valor do dinheiro sobre a galinha. 

LANÇAMENTO DE VIDAS SECAS


“Vidas Secas” é um livro que conta a história da família de Fabiano, que vive na miséria e enfrenta muitos desafios ao tentar fugir da seca nordestina. A obra, da segunda fase do modernismo, será publicada dia 10/05/1938. O autor Graciliano Ramos, nascido no Rio de Janeiro em uma família de classe média, passou a infância se mudando para várias cidades na região nordeste do Brasil. Mais tarde, ele voltou à cidade natal, onde trabalhou como jornalista e escreveu para o Malho e Correio da Manhã até retornar ao nordeste depois de uma tragédia na familiar, ao qual perdeu quatro irmãos.

Na obra, a família de Fabiano passa vários dias fugindo até encontrar uma casinha abandonada, onde ficaram até os meses da seca passar. Em um certo dia, a chuva chega mais não como eles esperavam, pois também chegou uma pessoa que dizia ser o dono das terras. Como condição, o padrão só os deixaria que ficassem no local se a família trabalhasse para ele. Por representar o Nordeste, o livro poderia ser caracterizado como um cangaço, entretanto, trata-se de uma cangaia.

A obra consegue retratar a realidade brasileira da época ao mostrar as injustiças sociais como a miséria e a fome, além de apresentar os desejos mais íntimos das personagens que são usados no lugar da linguagem verbal.

Esse livro é um marco para a literatura brasileira pela crítica social ao abordar as desigualdades presentes no sertão do Brasil, como entre a desproporção que existe entre a riqueza e a insuficiência. 

É uma leitura completamente unica, que irá mudar sua maneira de pensar! Você pode comprar o livro por somente 150 Réis.

-Amanda de Almeida e Fernanda Felizola

CRÍTICA SOBRE A OBRA


O autor da obra "Vidas Secas", Graciliano Ramos, nasceu na cidade de Quebrangulo no estado de Alagoas, no dia 27 de outubro de 1892. Sua vida foi repleta de dificuldades e mudanças, assim como na história retratada no quadro os "Retirantes" do pintor Cândido Portinari.Ponto alto do que os estudos literários chamaram de romance de 30, a quarta publicação do escritor, veiculado pela José Olympio na época, inicialmente possuía o título Um Mundo Coberto de Penas, mas por orientação dos editores, ganhou o formidável título que o conhecemos,"Vidas Secas".
Através de frases curtas e incisivas, Vidas Secas é um livro estuário dos brasileiros, considerado por muitos como desmontável, pois Graciliano Ramos escreveu os capítulos como contos que ao se agruparem, ganham a estrutura do gênero romance. Outro destaque da obra é a construção de seus personagens. Fabiano, Sinhá Vitória, os meninos, Baleia e o papagaio, o fazendeiro e o soldado amarelo: juntos, tais personagens constroem um painel ilustrativo das ideias do Manifesto Regionalista, de Gilberto Freyre, mas alcançando, como nenhum outro romance de 30, um apuro político e estético que o posiciona confortavelmente em primeiro lugar no ranking das obras-primas da literatura brasileira do século XX.

Neste livro, o autor apresenta a vida de uma família pobre que vivia no sertão nordestino, e que após determinadas situações resolveram se mudar em busca de melhores condições de vida. Ao longo do livre personagens vão morrendo em detrimento a seca, a fome, a miséria e a luta contra a exploração presentes nos meios rurais dos grandes latifundiários.Esta obra é considerada um romance, apresenta uma sucessão de quadros que revelam vários momentos da vida desta família sertaneja, que é formada por Fabiano, Sinhá Vitória (sua mulher) os dois meninos, a cachorra baleia e o papagaio, que morre no primeiro capítulo e serve de alimento para a família. 

Este livro permite que seus leitores,tenham uma visão mais contextual do Brasil, como um todo, e de sua política nas décadas de 1930 e 1940,mas sem se focar nisto especificamente. O autor relata que o que define o seu lugar dentro do local de de trabalho, é a sua submissão diante a dominação presente em um sistema patriarcal no esquema latifundiário onde o homem do campo não é inserido no processo de reivindicação de seus direitos, tampouco tem consciência dos seus direitos, podendo assim ser considerado como um exemplo do sistema feudal. Este sistema sendo caracterizado pelo vassalo, que "troca" sua força de trabalho, por um pedaço de terra,proteção e comida do senhor feudal,ou suserano.
Por fim, este livro através de sua narrativa, promove um conhecimento imensurável relacionado ao cultura e a política do Brasil do nordestino.

A linguagem coaduna-se perfeitamente com essa realidade social e geográfica, sendo direta, extremamente concisa, harmonizando a “secura” da alma, da cultura e da informação das pessoas, à “secura” da natureza e à da linguagem. Assim o autor, sugere que o pobre está jogado à sua própria sorte, sem saída, sem chance de alguma melhoria social e econômica, por isso a família de retirantes anda em círculo, pois, cada vez que é dispensada de uma fazenda, “retoma o caminho de sempre”. Essa citação gera o pensamento de quanto as classes sociais e o local de origem, pode influenciar a vida de uma pessoa e como ela é julgada e desrespeitada,pelos outros.

-Luísa Maria