segunda-feira, 15 de junho de 2020

CRÍTICA SOBRE A OBRA


O autor da obra "Vidas Secas", Graciliano Ramos, nasceu na cidade de Quebrangulo no estado de Alagoas, no dia 27 de outubro de 1892. Sua vida foi repleta de dificuldades e mudanças, assim como na história retratada no quadro os "Retirantes" do pintor Cândido Portinari.Ponto alto do que os estudos literários chamaram de romance de 30, a quarta publicação do escritor, veiculado pela José Olympio na época, inicialmente possuía o título Um Mundo Coberto de Penas, mas por orientação dos editores, ganhou o formidável título que o conhecemos,"Vidas Secas".
Através de frases curtas e incisivas, Vidas Secas é um livro estuário dos brasileiros, considerado por muitos como desmontável, pois Graciliano Ramos escreveu os capítulos como contos que ao se agruparem, ganham a estrutura do gênero romance. Outro destaque da obra é a construção de seus personagens. Fabiano, Sinhá Vitória, os meninos, Baleia e o papagaio, o fazendeiro e o soldado amarelo: juntos, tais personagens constroem um painel ilustrativo das ideias do Manifesto Regionalista, de Gilberto Freyre, mas alcançando, como nenhum outro romance de 30, um apuro político e estético que o posiciona confortavelmente em primeiro lugar no ranking das obras-primas da literatura brasileira do século XX.

Neste livro, o autor apresenta a vida de uma família pobre que vivia no sertão nordestino, e que após determinadas situações resolveram se mudar em busca de melhores condições de vida. Ao longo do livre personagens vão morrendo em detrimento a seca, a fome, a miséria e a luta contra a exploração presentes nos meios rurais dos grandes latifundiários.Esta obra é considerada um romance, apresenta uma sucessão de quadros que revelam vários momentos da vida desta família sertaneja, que é formada por Fabiano, Sinhá Vitória (sua mulher) os dois meninos, a cachorra baleia e o papagaio, que morre no primeiro capítulo e serve de alimento para a família. 

Este livro permite que seus leitores,tenham uma visão mais contextual do Brasil, como um todo, e de sua política nas décadas de 1930 e 1940,mas sem se focar nisto especificamente. O autor relata que o que define o seu lugar dentro do local de de trabalho, é a sua submissão diante a dominação presente em um sistema patriarcal no esquema latifundiário onde o homem do campo não é inserido no processo de reivindicação de seus direitos, tampouco tem consciência dos seus direitos, podendo assim ser considerado como um exemplo do sistema feudal. Este sistema sendo caracterizado pelo vassalo, que "troca" sua força de trabalho, por um pedaço de terra,proteção e comida do senhor feudal,ou suserano.
Por fim, este livro através de sua narrativa, promove um conhecimento imensurável relacionado ao cultura e a política do Brasil do nordestino.

A linguagem coaduna-se perfeitamente com essa realidade social e geográfica, sendo direta, extremamente concisa, harmonizando a “secura” da alma, da cultura e da informação das pessoas, à “secura” da natureza e à da linguagem. Assim o autor, sugere que o pobre está jogado à sua própria sorte, sem saída, sem chance de alguma melhoria social e econômica, por isso a família de retirantes anda em círculo, pois, cada vez que é dispensada de uma fazenda, “retoma o caminho de sempre”. Essa citação gera o pensamento de quanto as classes sociais e o local de origem, pode influenciar a vida de uma pessoa e como ela é julgada e desrespeitada,pelos outros.

-Luísa Maria


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